A SERVA QUE DEUS USOU .

            

 

 


 

 

 

                                               

                                    A VIZINHA QUE VIROU MINHA MÃE DE CRIAÇÃO.                                                          

     

Isaurina – A Serva que Deus Usou para Me Ajudar

Uma homenagem à serva do Senhor, minha mãe de criação do coração

Existem pessoas que Deus coloca em nossa caminhada para mudar completamente a direção da nossa vida.

Algumas permanecem conosco por pouco tempo.

Outras deixam marcas eternas.

Hoje quero prestar uma homenagem a uma dessas pessoas.

Uma mulher que Deus usou para me apresentar Jesus Cristo.

Uma mulher que se tornou minha mãe de criação do coração.

Seu nome era Isaurina Viana Lima.

Quase dois metros de altura.

Uma mulher negra, professora, esposa e mãe de oito filhos biológicos.

Durante muito tempo eu a observava passar em frente de casa.

Era uma cena que parecia acontecer sempre da mesma maneira.

Às quartas-feiras e sextas-feiras, por volta das 18h35, e aos domingos, às 8h20 da manhã, ela caminhava em direção à Igreja Cristã Evangélica levando um de seus filhos.

Sempre alegre.

Sempre sorrindo.

Sempre cumprimentando os vizinhos.

Eu ainda nem havia recebido meu chamado, mas havia algo naquela mulher que prendia minha atenção.

Sem compreender o motivo, eu parava tudo apenas para vê-la passar.

Hoje entendo que Deus já preparava aquele encontro.

A mulher que Deus escolheu

Eu me chamo Jorge Henrique da Silva.

Escrevo estas palavras para agradecer à serva que Deus escolheu para me ensinar o verdadeiro Evangelho de Jesus Cristo.

Foi através dela que aprendi a diferença entre viver o Evangelho e apenas viver uma religião.

Ela me mostrou que um escolhido não busca Deus apenas para conquistar riquezas.

Não vive desesperado atrás de prosperidade.

Ela me ensinou que seguir Jesus significa amar, servir, repartir e viver a graça.

O Espírito Santo usou dona Isaurina para me afastar de uma religiosidade baseada apenas em regras e aparências.

Ela me ensinou que ninguém recebe autoridade para julgar o próximo.

Na época em que minha família biológica não conseguia me oferecer o amparo emocional de que eu precisava, Deus levantou aquela mulher para cuidar de mim espiritualmente.

Ela foi minha mentora.

Minha mãe de criação.

Uma coluna que sustentou minha caminhada durante uma das fases mais difíceis da minha infância.

O primeiro encontro

Tudo começou em um domingo.

Minha mãe biológica, dona Rita, trabalhava em um hotel de Fortaleza.

Naquele tempo ela acordava todos os dias por volta das cinco horas da manhã.

Nosso vizinho, seu Joaquim Brito, sempre avisava o horário antes de sair para trabalhar.

Lembro-me perfeitamente dele chamando do quintal:

"Rita... Dona Anita... já são quase cinco horas!"

Como era domingo, não havia distribuição do leite fornecido pelo governo para as famílias carentes.

Mesmo assim eu já estava acordado.

Desde pequeno eu tinha muita dificuldade para dormir.

Acordava diversas vezes durante a madrugada.

Naquele dia acompanhei minha mãe até a porta.

Ela saiu para o trabalho como fazia todos os domingos.

Depois caminhei até a esquina para vê-la desaparecer no fim da rua.

Quando ela sumiu no horizonte, sentei-me na calçada de uma casa.

Fiquei apenas observando o movimento da rua.

As pessoas começavam a acordar.

Os vizinhos saíam de casa.

Foi então que ouvi uma voz feminina.

"Garoto, o que você está fazendo aí? Cadê sua mãe?"

Assustado, respondi:

"Ela foi trabalhar."

Ela perguntou novamente:

"E sua avó?"

"Está em casa."

Ao perceber que eu estava sozinho, fez uma pergunta que mudaria completamente minha vida.

"Você quer merendar?"

Balancei a cabeça dizendo que sim.

Então ela respondeu:

"Vá para casa. Peça para sua avó arrumar você. Vou levá-lo para a igreja."

(Choro.)

O começo de uma nova vida

Voltei correndo para casa.

Na verdade, nem pensei em acordar minha avó imediatamente.

Minha preocupação era encontrar uma roupa rapidamente para garantir aquela merenda.

Fazia tanto barulho no guarda-roupa que dona Anita acordou e perguntou:

"O que foi, Jorge? O que você está procurando?"

Respondi:

"A mulher da igreja me chamou para merendar e me levar para a igreja. Posso ir?"

Minha avó sorriu, levantou-se, ajudou-me a vestir uma roupa e permitiu que eu fosse.

Poucos minutos depois voltei para a calçada da casa da vizinha.

Ela apareceu com seu filho Isaías, que ainda terminava seu mingau.

Abriu o portão.

Entregou-me um caneco de café com leite e um pão.

Sentamos juntos na área da casa.

Ali começou nossa amizade.

Pouco tempo depois ela chamou:

"Isaías, termine de se arrumar!"

Olhou para mim e perguntou:

"Jorge, terminou? Vamos sair."

A verdadeira obra de Deus

Pontualmente, às 8h15, saímos em direção à Igreja Cristã Evangélica.

Ela segurou minha mão.

Isaías levava sua Bíblia.

Enquanto caminhávamos, alguns colegas da rua zombavam.

"Olhem o Jorge indo para a igreja!"

Ela apenas sorria.

E respondia:

"Semana que vem quero levar vocês também."

Depois levantava os olhos em direção às casas dos vizinhos e fazia um convite que jamais esqueci.

"Vizinho, domingo que vem quero levar seu filho para a Escola Dominical. Arrume ele. Às oito horas passo aqui."

Meu Deus...

É impossível escrever isso sem me emocionar.

Foi ali que compreendi, muitos anos depois, que a verdadeira obra de Deus começa fora das quatro paredes da igreja.

Ela não esperava as pessoas chegarem ao templo.

Ela ia buscá-las.

O maior presente que alguém pode receber

Durante anos aquela cena se repetiu.

Todos os domingos.

Todas aquelas caminhadas ficaram gravadas na minha memória.

Naquele primeiro dia, porém, aconteceu a maior bênção que uma criança poderia receber.

Fui apresentado a Jesus Cristo.

Creio que Deus já me conhecia desde o ventre da minha mãe Rita.

Mesmo vivendo em um ambiente difícil, pesado e espiritualmente conturbado, fui alcançado por Sua graça.

Na Escola Dominical fui recebido por irmãos comprometidos com a obra do Senhor.

Muitos deles já partiram para a eternidade.

Mas permanecem vivos na minha memória.

Quando toda a igreja entrou em oração, aconteceu algo que nunca mais esqueci.

Enquanto todos oravam, senti uma paz que jamais havia experimentado.

Meu espírito parecia ter encontrado seu verdadeiro lar.

Olhei para dona Isaurina.

Ela permanecia de olhos fechados, orando.

Naquele momento falei silenciosamente com Deus.

Prometi que permaneceria ao lado daquela mulher enquanto pudesse.

Foi ali que senti, pela primeira vez, a presença do Espírito Santo de uma forma que marcou toda a minha existência.

O abraço que nunca esqueci

Era o ano de 1988.

Depois que a oração terminou, voltei para me sentar ao lado dela.

Antes mesmo de me acomodar, dona Isaurina levantou-se e me abraçou.

Foi o abraço mais caloroso, mais sincero e mais cheio de amor que recebi em toda a minha vida.

Nunca consegui esquecê-lo.

Hoje escrevo estas palavras com lágrimas nos olhos.

Sinto uma gratidão que jamais conseguirei colocar completamente em palavras.

Obrigado, Senhor, por ter colocado essa serva em meu caminho.

Obrigado por usar uma mulher simples para transformar a vida de uma criança.

Obrigado por permitir que eu conhecesse Jesus Cristo através do testemunho dela.

E obrigado, minha mãe de criação do coração.

Isaurina Viana Lima.

Enquanto eu viver, sua história também viverá dentro de mim.

"Se esta história tocou você, continue acompanhando as demais postagens do blog e conheça mais da minha caminhada."  

Neste blog compartilho parte da minha caminhada e reflexões sobre fé, esperança, perseverança e as experiências que marcaram minha vida.

Se desejar acompanhar as próximas publicações, volte sempre.

Que Deus abençoe você e sua família.

Jorge Silva.

Autor: Jorge Silva.



     



Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

OS SERVOS DA PROSTITUTA.

FILHOS GERADOS NO PECADO. "O PECADO HEREDITÁRIO"

O ÚLTIMO ALERTA..